quinta-feira, janeiro 09, 2014

COLUNA DE REFLEXÕES

A TV Brasileira Vista Pelos Estrangeiros

Por Rosângela Reis



Com a iminência da copa e olimpíadas nosso país tem sido visto com raio-X.

Em 2013 a série de tv The Greatest Shows On Earth com o documentário A TV Brasileira Vista Pelos Estrangeiros do canal 04 britânico veio apresentar nossa mídia como reflexo da personalidade de nosso país, ou como acredita a apresentadora “a televisão como janela da alma de uma sociedade”.

De antemão, a apresentadora Daisy Donovan passeando pelas ruas, para num bar de calçada e já tem a infelicidade de ver logo o Dr. Hollywood na tv! Com música, jornal, séries, programas de debates naquele horário e o bar transmite justamente sensacionalismo demonstrando a obsessão brasileira em detalhes …

Conversando com as pessoas, citou também o programa Pânico. Não costumo assistir Pânico na integra com frequência, apenas, às vezes um ou dois quadros de interesse, entretanto, ao ver cenas deploráveis, senti-me envergonhada pelos FDP que ganham audiência com a falta de respeito e barbarismo ali. Pior é ver o quanto as Panicats se sentem honradas em participar do programa...e olha que algumas têm caminhos em formação superior!

“...tem uma parte de humilhação, mas da mesma forma que tem essa parte de humilhação, tem o status, aquilo que vai acrescentar na sua vida, então, você acaba esquecendo a humilhação. Porque você está na TV!”- retruca Aryane Steinkopf, ex-panicat em entrevista concedida à apresentadora Daisy Donovan sobre a forma de tratamento que o programa as expõe.

Este é o pensamento de muitas mulheres que se valem do corpo para ter uma chance de chamar a atenção à sua existência incrédula. E ouvindo essas palavras veio-me tristeza e lamento, pois, parece o discurso de uma prostituta que achando-se sem dignidade alguma acredita não ter capacidade para nada e que apelação sexual é sua única valia de sobrevivência.

No programa concurso de Miss Bumbum – que eu nem ouvira falar – a miss bumbum simpatia justifica que sujeitar-se a essa conquista de fama apelativa é só um meio para oportunamente “mostrar o que tem por dentro e a capacidade intelectual” pós degrau de degradação.

Acho mulheres seres belíssimos. E penso que temos as mais belas do mundo em nosso país, talvez por isso, evidencie um pouco de recalque ou inveja alheia, mas assistindo a Daisy Donovan, não querendo ser demasiadamente pudica e utópica, faz até jus o olhar de fora. São constantes os apelos sexuais e violência. Contudo, também creio que pessoas inteligentes em qualquer lugar do mundo observariam outros programas além dos sensacionalistas que a maioria midiática utiliza para se promover.

Quanto aos programas violentos – sabe aqueles na hora do almoço e fim de tarde! - é incrível como se torna banal na mente da apresentadora do canal de Salvador/BA, quando Daisy indaga sobre a premissa que “xingar é pesado” demais concomitante a violência diurna exibida.

A tendência do ser humano à manipulação corriqueira da mídia é notória.

A questão é o excesso que foge à finalidade da informação concisa. Esse mesmo excesso que fomenta a brutalidade humana como justificativa de seus atos.

A sensação de medo em Daisy toma proporções que ela entende o processo de banalização do telespectador que ao invés da consciência à informação, vive num entorpecimento lancinante.

Já em outro momento ela cita a dicotomia do pensamento brasileiro quanto à postura de seus ídolos de entretenimento. Como quando diz que “o programa Melhor do Brasil abre com o cantor Belo, ex-traficante de drogas, mas hoje um dos maiores galãs do Brasil”, como se o enaltecêssemos mostrando nossa falta de refinamento cultural. Isso foi ignorância pura! Em contrapartida, junta Pe Marcelo Rossi ao cenário instigante. Nossos artistas, principalmente, na música de qualidade como Tom, Elis, Caetano e mais outros são reconhecidos até hoje nos quatro cantos do planeta. Se ela tivesse feito uma pesquisa, além da superficial que mostrou, saberia que existe qualidade musical versus o fenômeno “efemeridades populares”.

Apesar da mensagem do programa europeu ser válida à reflexão, de todo não diferencia o sensacionalismo oportunista, aproveitando-se de uma perspectiva generalizada quando utiliza-se de referenciais de pesquisa capciosos. Vende a ideia de mulheres desvalorizadas, violência e hipocrisia em que vivemos e deixa de mostrar as belezas e personalidade contundentes do outro lado da moeda. Fácil ganhar crédito em cima das desvantagens alheia, difícil é ser humilde para reconhecer o valor do outro sem interesses. No caso, quando falamos em países, há questões econômicas e políticas envolvidas. Quantas vezes nossa própria mídia não rotula para mais ou para menos o que lhes é pertinente. Ex.: regiões: Norte – resume-se a mato, palafitas, índios e animais selvagens. Nordeste – casas de barro, seca, miséria, ignorância. Centro-Oeste – Brasília/DF. Sudeste – situado nosso país para os estrangeiros, especificamente, RJ e SP onde tudo acontece. Sul – a nata do desenvolvimento sócio-econômico organizacional brasileiro.

Somos seres suscetíveis. Fato! Decorrentes de aceitação social, instabilidades econômicas, ignorância, movidos em ilusões e idealismos – muitas vezes medíocres – só para anestesiar o caos da vida, todavia fecundados de uma fé intrínseca que nos torna vívidos.

Atingir um nível consciente das massas é algo gradual que consiste em pessoas inspiradoras (que não é o caso de Lady Donovan) para nos abrir os olhos para tais mudanças e assim a conquista de um mundo melhor. Conhecimento é poder. E sabedoria o manual de ajuda. Sejamos complacentes com o que agrega e não com o que nos torna burros! Discernimento, principalmente, com algo tão visceral que é a mídia em nossas vidas deve ser questionado e não empurrado goela a baixo. Pense nisso!




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