A TV Brasileira Vista Pelos Estrangeiros
Por Rosângela Reis
Com a
iminência da copa e olimpíadas nosso país tem sido visto com
raio-X.
Em 2013 a
série de tv The Greatest Shows On Earth com o documentário A TV
Brasileira Vista Pelos Estrangeiros do canal 04 britânico veio apresentar nossa mídia como reflexo da personalidade de nosso país, ou como
acredita a apresentadora “a televisão como janela da alma de uma
sociedade”.
De
antemão, a apresentadora Daisy Donovan passeando pelas ruas, para
num bar de calçada e já tem a infelicidade de ver logo o Dr.
Hollywood na tv! Com música, jornal, séries, programas de debates
naquele horário e o bar transmite justamente sensacionalismo
demonstrando a obsessão brasileira em detalhes …
Conversando
com as pessoas, citou também o programa Pânico. Não costumo
assistir Pânico na integra com frequência, apenas, às vezes um ou
dois quadros de interesse, entretanto, ao ver cenas deploráveis,
senti-me envergonhada pelos FDP que ganham audiência com a falta de
respeito e barbarismo ali. Pior é ver o quanto as Panicats se sentem
honradas em participar do programa...e olha que algumas têm caminhos
em formação superior!
“...tem
uma parte de humilhação, mas da mesma forma que tem essa parte de
humilhação, tem o status, aquilo que vai acrescentar na sua vida,
então, você acaba esquecendo a humilhação. Porque você está na
TV!”- retruca Aryane Steinkopf, ex-panicat em entrevista concedida
à apresentadora Daisy Donovan sobre a forma de tratamento que o
programa as expõe.
Este é o
pensamento de muitas mulheres que se valem do corpo para ter uma
chance de chamar a atenção à sua existência incrédula. E ouvindo
essas palavras veio-me tristeza e lamento, pois, parece o discurso de
uma prostituta que achando-se sem dignidade alguma acredita não ter capacidade
para nada e que apelação sexual é sua única valia de
sobrevivência.
No
programa concurso de Miss Bumbum – que eu nem ouvira falar
– a miss bumbum simpatia justifica que sujeitar-se a essa conquista
de fama apelativa é só um meio para oportunamente “mostrar o que
tem por dentro e a capacidade intelectual” pós degrau de
degradação.
Acho
mulheres seres belíssimos. E penso que temos as mais belas do mundo
em nosso país, talvez por isso, evidencie um pouco de recalque ou
inveja alheia, mas assistindo a Daisy Donovan, não querendo ser demasiadamente pudica e utópica, faz até jus o olhar de fora. São constantes os apelos
sexuais e violência. Contudo, também creio que pessoas inteligentes
em qualquer lugar do mundo observariam outros programas além dos
sensacionalistas que a maioria midiática utiliza para se
promover.
Quanto
aos programas violentos – sabe aqueles na hora do almoço e fim de
tarde! - é incrível como se torna banal na mente da apresentadora
do canal de Salvador/BA, quando Daisy indaga sobre a premissa que
“xingar é pesado” demais concomitante a violência diurna
exibida.
A
tendência do ser humano à manipulação corriqueira da mídia é
notória.
A questão
é o excesso que foge à finalidade da informação concisa. Esse
mesmo excesso que fomenta a brutalidade humana como justificativa de seus atos.
A
sensação de medo em Daisy toma proporções que ela entende o
processo de banalização do telespectador que ao invés da
consciência à informação, vive num entorpecimento lancinante.
Já em
outro momento ela cita a dicotomia do pensamento brasileiro quanto à
postura de seus ídolos de entretenimento. Como quando diz que “o
programa Melhor do Brasil abre com o cantor Belo, ex-traficante de
drogas, mas hoje um dos maiores galãs do Brasil”, como se o
enaltecêssemos mostrando nossa falta de refinamento cultural. Isso
foi ignorância pura! Em contrapartida, junta Pe Marcelo Rossi ao
cenário instigante. Nossos artistas, principalmente, na música de
qualidade como Tom, Elis, Caetano e mais outros são reconhecidos até
hoje nos quatro cantos do planeta. Se ela tivesse feito uma pesquisa,
além da superficial que mostrou, saberia que existe qualidade
musical versus o fenômeno “efemeridades populares”.
Apesar da
mensagem do programa europeu ser válida à reflexão, de todo não
diferencia o sensacionalismo oportunista, aproveitando-se de uma
perspectiva generalizada quando utiliza-se de referenciais de
pesquisa capciosos. Vende a ideia de mulheres desvalorizadas,
violência e hipocrisia em que vivemos e deixa de mostrar as belezas
e personalidade contundentes do outro lado da moeda. Fácil ganhar
crédito em cima das desvantagens alheia, difícil é ser humilde
para reconhecer o valor do outro sem interesses. No caso, quando
falamos em países, há questões econômicas e políticas
envolvidas. Quantas vezes nossa própria mídia não rotula para mais
ou para menos o que lhes é pertinente. Ex.: regiões: Norte –
resume-se a mato, palafitas, índios e animais selvagens. Nordeste –
casas de barro, seca, miséria, ignorância. Centro-Oeste –
Brasília/DF. Sudeste – situado nosso país para os estrangeiros,
especificamente, RJ e SP onde tudo acontece. Sul – a nata do
desenvolvimento sócio-econômico organizacional brasileiro.
Somos
seres suscetíveis. Fato! Decorrentes de aceitação social,
instabilidades econômicas, ignorância, movidos em ilusões e
idealismos – muitas vezes medíocres – só para anestesiar o caos
da vida, todavia fecundados de uma fé intrínseca que nos torna
vívidos.
Atingir
um nível consciente das massas é algo gradual que consiste em
pessoas inspiradoras (que não é o caso de Lady Donovan) para nos
abrir os olhos para tais mudanças e assim a conquista de um mundo
melhor. Conhecimento é poder. E sabedoria o manual de ajuda. Sejamos
complacentes com o que agrega e não com o que nos torna burros!
Discernimento, principalmente, com algo tão visceral que é a mídia
em nossas vidas deve ser questionado e não empurrado goela a baixo.
Pense nisso!