sexta-feira, março 10, 2017

COLUNA DE REFLEXÕES

O Inefável Prazer da Benevolência


Por Rosângela Reis





Você já encontrou alguém bom, mas bom de verdade?

Alguém naturalmente bom? Com a essência do amor altruísta, abnegado.

Na maioria encontramos pessoas boas. Mas, boas até quando? Qual o limite? Qual a conveniência?

Às vezes, em quaisquer relações, onde o objeto de desejo pode ser mais forte que um senso moral, fica difícil não existir uma pertinência quanto ao outro. Se quer agradar de todo jeito. Inevitavelmente, quando se trata de escolher entre ser naturalmente bom ou ser bom por causa do outro ou dos outros, o comportamento humano se torna dubitável. Isso se dá porque o ser humano ao invés de buscar-se para depois buscar o outro, teme encarar seu próprio eu afogado em frustrações se tornando frágil, carente, perdido, desolado. E pior, esquece-se da essência do bem para consigo e para com aqueles em vida.

Fazem coisas boas por vaidade, esperando reconhecimento, algo em troca, compensação.

Fazer o bem não é uma escolha, e sim, uma naturalidade humana, intrínseca da alma. Todavia, encontrar essa forma de amor é raríssimo! Essa forma abnegada, sem ínfima intencionalidade, e sim, apenas pelo mais vigoroso prazer de fazer o bem... isso é um presente!

Infelizmente, há pessoas que ainda se prendem em egoísmo excêntrico, buscando reconhecimento por suas ações para serem amadas e enaltecidas, para se encaixarem aos olhos dos outros e de si. E mentem. Mentem por se sentirem reprimidas e não magoar aqueles que, de uma forma ou outra, justificam que amam ou respeitam. Abstraem como mentiras insignificantes. Mentem por vaidade, pois, preferem viver a ilusão - do que acham que deveria ser ideal - do que assumir frustrações ou reprovações, ao invés, de tentar superar ou ser humilde para aceitar a si e ao outro. Pessoas enchem seus copos com arrogância, vaidades e verdades absolutas e se convencem sobre a ilusão em que vivem seja verdade.

Por que se esquecem de sua humanidade? Por que é tão difícil se pôr no lugar do outro? Por que se esconder em discursos demagógicos? O que agrada viver em estagnação e dogmatismo.

O maior desafio é:

Afinal, o que você está fazendo para fazer sua vida genuína e válida? Para ser uma pessoa melhor? Aquela que Papai do Céu criou com beleza infinita. Que deu o maior presente de todos: a liberdade. O livre-arbítrio. A oportunidade de aprender e, mesmo em queda, ainda permite o resgaste da forma pura que ficou adormecida no âmago de seu início.

Difícil viver as vicissitudes da vida sem escoriações. O mal quase sempre vem de quem mais confiamos. Muitas vezes dores e decepções tão profundas que nos tornam apáticos, distantes. Não há como esquecer as marcas. Mas o tempo ajuda a dar oportunidades para novos recomeços e reencontros, se nos permitimos em humildade o perdão recíproco.

Se o ser humano conseguisse viver o amor altruísta, não haveria guerra, desrespeito, maledicência, inveja, soberba, desigualdades, violência física ou moral, não existiria a mediocridade humana.

Sabe o que haveria?

BELEZA, benevolência, satisfação e plenitude, sabedoria, equilíbrio, paz. Haveria a compreensão de felicidade.

Afortunados aqueles que conseguem neste mundo ter uma coleção genuína de felicidade.

Não perca a fé. Encontre-se e encontre seu caminho. Sempre haverão pessoas e situações surpreendentes.

A felicidade está nos detalhes da mesma vida que estão as tristezas. Permita-se ter uma perspectiva positiva para torná-las qualitativas, evitando uma vida fugaz. Eis, aí, sua rica coleção. E quando chegar ao fim, elas te darão conforto.





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