Por Rosângela Reis
O filme
Cantando na Chuva de 1952, trata-se de um dos mais marcantes
clássicos de época, onde a indústria de filmes reproduzia a arte
do teatro como a música e a dança adaptados ao novo formato de
cinema, mostrando dificuldades e influências sociais de uma cultura
em movimento. Ditando uma nova postura social seja na moda, seja nas
expectativas ao novo mundo que uma tela faz acreditar; na
perspectiva profissional, um mundo que sai do preto e branco para as
cores, alimentando vaidades e sonhos.
Don C.
(Gene Kelly) e Lina Lamont ( Jean Hagen) são os personagens famosos
da estória envolvidos em fama e publicidade, eles são a
representação oficial de Hollywood no cinema mudo; junto deles
seguem, outros personagens que fazem parte da estrutura de sucesso, em meio às intempéries, em que a união, persistência e
versatilidade farão a diferença.
A
contextualização do filme mostra a transição do cinema mudo, que
trabalhava exclusivamente com a imagem, intensificando uma cultura
onde tudo era um marketing visual e o comportamento copiado das
incríveis telas. Entretanto, com o advento do cinema falado há necessidade de explorar habilidades, talentos, criatividade que,
outrora, ficava apenas no imaginário do telespectador, logo aquela
idealização fomentaria mais ainda a imaginação dos fãs,
instigando uma aproximação mais intima com o público e
revolucionando a indústria cinematográfica.
O momento
era o agora! A indústria cinematográfica abria oportunidades para
novos profissionais: roteiristas se tornavam essenciais, assim como,
músicos para dar o clima entusiasmático e vários outros
profissionais que faziam parte da alma do cinema. Percebe-se o
desenvolvimento desta cultura organizacional dentro de um iminente
processo transformador que refletiria em eco até nossos tempos
atuais. O cinema quebra o paradigma da Imagem para agregar arte em
pró-atividade.
Quando
avaliamos esse desenvolvimento, percebemos a vontade e a coragem com
que os personagens se apoiam para fazer dar certo. Em exemplo,
destacam-se três personagens: Don (AÇÃO) – em seu carisma,
sociabilidade e humildade, principalmente, ao sempre reconhecer seu
melhor amigo Cosmo com igualdade para chegar ao sucesso. Cosmo
(MENTE) – sempre muito estimulante e criativo, salva na hora do
sufoco com suas ideias brilhantes e que se complementam ao talento de
Don. Katie (CORAÇÂO) – seu idealismo e senso de compromisso que
transcendem em sua beleza, especialmente, na cena em que se torna
pioneira em dublar só para salvar o trabalho do cinema que visionava
como válido e que todos criavam expectativas. Além deles, lógico, há toda uma logística e o
diretor, que mesmo se sentindo perdido, acredita naqueles
precursores.
Em um
filme onde habilidades e talentos são discutidos sob diferentes
perspectivas e respeitados quando os personagens se vêm numa mesma
panela; não obstante, vê-se a união em prol de um mesmo objetivo;
mesmo quando Lina L tenta sabotar, demonstrando não ser uma
profissional verdadeira e estagnando-se em meio aos seus atos pueris.
Na
cultura organizacional todos fazemos parte de uma unidade comum. O
sinergismo que nos leva ao progresso, ao descobrimento de um
admirável mundo novo e nos torna aptos a superação. O que começa
muitas vezes sem razão e nos faz parte de um grupo existencial, de
repente, nos encontramos e nos vemos parte de uma equipe quando nos
identificamos ideologicamente e partimos para ações efetivas,
planejando com estratégias e estímulos, que nos fazem ser a
diferença na soma do que vivemos; seja no trabalho, na vida, nos
relacionamentos, no próprio ato de respirar assim nos desenvolvemos
nesse processo com práticas cognitivas ao progresso de evolução.
Preservando, adaptando, transformando, sejam quaisquer áreas, as
sociedades superam seus ápices em fatores culturais e humanistas.
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